VELA ACESA E VELA APAGADA (artigo tirado de meu livro "Assim Fala Minh`alma"
Permita-me fazer alusão à Chiara Lubich. É que hoje reli um de seus Collegamentos (artigos periódicos do Movimento dos Focolares), o qual fora escrito por ela, quando esta se encontrava em Hong Kong, em 1982. Nele a autora contava de seus contatos com a colônia budista, que é expressiva no Extremo Oriente. Ela nos falava sobre um dos símbolos desta cultura, que é vela apagada. Isto simboliza, para os seguidores daquela religião, mortificação, a ausência total dos desejos. É o máximo de perfeição que eles podem alcançar e que merecia a admiração nossa a maneira como eles praticavam aquilo.
No mesmo ensejo, Chiara ressaltou que nós cristãos temos como símbolo a vela acesa, retratando a graça e a vida divinas que Jesus havia trazido, e que aquece nossos corações. Com este fogo, continua Lubich, poderíamos e deveríamos amar a Deus e ao próximo, realizando plenamente a vontade de Deus no presente e fazendo-nos um com o próximo. Deste modo morreria em nós tudo aquilo que fosse terreno, apagando os desejos e as paixões, simbolizado pela vela acesa.
Pensando bem, uma das velas não deveria necessariamente excluir a outra, mas poderiam ou deveriam ser somadas suas simbologias. Se se tem discernimento o bastante para trabalhar com os dois aspectos, por que haveríamos de fazer a opção por apenas um deles? Não deveria haver uma intercessão entre estes dois conjuntos filosóficos, mas sim uma união de ambos.
Sempre me pus a pensar que se você tem de berço uma certa filosofia de vida, ou algum princípio religioso, isto não implica necessariamente que você não possa ler ou mesmo filosofar e discutir sobre outros primas filosóficos. Quem sabe não haveria coisas novas, ou óticas esclarecedoras, ou até mesmo princípios que possam nos ajudar a viver e entender melhor a vida, a Verdade. Talvez não exista a minha verdade, ou haja uma verdade absoluta, mas que ela esteja intrínseca em várias vertentes. A partir do instante em que passei a pensar assim, a ler e pesquisar acerca de assuntos e doutrinas diversas, respeitando-as naturalmente, vi-me mais aliviado e seguro de mim e de tudo. Fez-me bem esta tomada de decisão e quebra de paradigmas. Quem sabe não posso ter uma vela apagada dentro de uma vela acesa?
