Aprendendo com os Santos


SÃO VICENTE DE PAULO (autoria de Nêgo Moreira - in memorian)


Nasceu ele a 24 de abril de 1581 em Pouy, no sul da França. Filho de João do Paulo e de Bertranda de Moras, camponeses os quais cuidavam da criação de porcos, de vacas e carneiros. Ordenou-se sacerdote Vicente de Paulo a 23 de setembro de 1600, com apenas 19 anos de existência. Para não ser pesado para os pais, que eram pobres, ensinava humanidades nos subúrbios de Paris e em Toulouse, onde formava os alunos a ele confiados, na virtude e na santidade. Ainda em Paris, desenvolveu os primeiros anos de seu ministério sacerdotal, em que soube conduzir o seu rebanho com amor e dedicação apostólica, mediante a doçura das suas palavras e a grandeza do seu exemplo de vida.

O Padre Vicente de Paulo levou sempre uma vida de austeridade, na humildade, na oração e no trabalho. Serviu com paciente e laboriosa presença nos reinados de Henrique IV e de Luís XIII em que, tendo se tornado esmoler da rainha Margot, passou a conviver com os pobres, aos quais, a partir daí, consagrou todos os anos restantes da sua vida, assistindo-os espiritual e materialmente, no serviço, no amor e na partilha. Vicente de Paulo, após a criação dos Padres Seculares da Missão, no ano de 1625, tornou-se um devotado missionário, notadamente na evangelização de vilarejos e de aldeias do interior.

Seus padres, irmanados numa castíssima e santíssima comunidade, numa experiência de total renúncia à vida profana, viviam unidos na prece, nas leituras, na meditação e no trabalho, tendo em vista a aquisição de uma formação integral, que os pudesse colocar totalmente ao serviço do Evangelho e da salvação das almas. Assim estruturado, o padre Vicente de Paulo tornou-se verdadeiramente um homem de oração, aliada a uma extraordinária capacidade de iniciativa e de ação. Após servir como pároco em várias localidades do interior da França, partiu para as suas grandes criações, como consequência do seu inegável poder de iniciativa. No ano de 1617 criou a Associação das Senhoras da Caridade, destinada ao cuidado e a assistência aos pobres e doentes. No ano de 1625, organizou a Congregação dos Padres Seculares da Missão, acima relatada. Em 1633 organizou a Congregação das Filhas da Caridade, para o que contou com a participação de Luísa de Marilac, posteriormente, Santa Luísa de Marilac. Esta Congregação, após a fase de organização e das primeiras experiências, abriu para a vida das religiosas uma indiscutível revolução no campo da ação. Enquanto que até então as religiosas viviam enclausuradas nos conventos, levando apenas uma vida de penitência e oração, o padre Vicente de Paulo abriu para elas as portas do mundo lá fora.

Daí por diante, passaram a ter como convento as casas dos pobres; como clausura, as ruas das cidades; como capela, as igrejas paroquiais; e como véu, uma santa modéstia, habilitando-se assim a uma verdadeira vida de ação a partilha. Após assumir o Convento de São Lázaro, onde passou a morar com os seus padres, o Padre Vicente de Paulo tornou-se verdadeiramente o pai dos pobres e dos necessitados; partiu ele para o desenvolvimento de uma caridade organizada. Para tanto, passou a investir nas suas grandes criações: asilos para idosos, orfanatos para as crianças abandonadas, hospitais para os pobres, casas para abrigo de mocinhas, e ainda, hospitais para loucos. Embora com esta característica de exercer uma caridade organizada, ainda assim, ao redor do Convento de São Lázaro era comum a presença de milhares de necessitados aos quais o padre Vicente de Paulo e seus companheiros de Congregação assistiam com amor e paciência. Após granjear a admiração do mundo inteiro e haver conquistado o título de “pai dos pobres” faleceu em odor de santidade no dia 27 de setembro de 1660. Às suas exéquias compareceu uma grande multidão, que chorava a imensa perda.

A própria Rainha Ana d`Áustria chegou a exclamar: “A França e os pobres sofrem uma grande perda”. Também os pobres que desfilavam diante do seu corpo manifestavam o seu profundo pesar: “Perdemos um pai”. Após o desenrolar do competente processo investigatório da sua vida e o reconhecimento da heroicidade das suas virtudes, o padre Vicente de Paulo foi canonizado pelo Papa Clemente XII no dia 16 de julho de 1737. O Santo Padre leão XIII o declarou Padroeiro Universal de todas as associações de caridade e pai de todos os necessitados. São Vicente de Paulo revolucionou o seu século. Dele, diz Domingues Carneiro: “Os verdadeiros grandes homens são aqueles cujas obras lhes sobrevivem, e nas quais o tempo, que tudo enfraquece e destrói, não faz senão trazer o novo desenvolvimento e nova força de expansão”. Assim sendo, São Vicente de Paulo não é apenas um grande homem do seu tempo, mas imortal e perenizado em todos os tempos”.